Não é problema seu

Deixei que o problema dele continuasse sendo só dele. Como agir assim sempre? Olha. Eu não sei. Mas se você souber. Diz aí. Estou disposto a aprender.

Ônibus. 

Levanto do banco.

Faço sinal.

Vou em direção a porta. 

Motorista passa do ponto.

Falo alto. 

Oh motorista, passou do ponto!

Ele ignora. 

Oh, motorista, quero descer!

Ele passa do outro ponto. 

Grito. 

Mais alto.

Motorista, o que está acontecendo? 

Ele retruca. 

Isso aqui não é Uber não, eu paro onde eu quiser.

 E assim passamos de quatro pontos. 

Chamei ele de babaca. 

Desci do ônibus reclamando. 

E permaneci reclamando por um bom tempo. 

Até chegar em casa. 

São Paulo. 

Metro.

Transferência para linha amarela.

Milhares de pessoas andando juntas. 

E eu espremido no meio delas e falando ao telefone. 

A minha bolsa esbarra em alguém. 

Imediatamente recebo um empurrão. 

Olho para o rapaz que me empurrou e digo. 

Me desculpa!

Ele resmunga. 

Faz sinal negativo com a mão.

E sai andando na frente.

Com pressa.

Vejo ele indo no meio da multidão.

Olhando pro lado o tempo todo.

Receoso.  

 Esperando uma represália da minha parte.

 Medo que eu estivesse atrás dele. 

Eu sorri. 

E deixei ele ir.Nas duas situações. 

O PROBLEMA NÃO ERA MEU.

Um eu me envolvi. 

E o problema do motorista do ônibus passou a ser meu.

 O segundo não. 

Deixei que o problema dele continuasse sendo só dele. 

Como agir assim sempre? 

Olha. 

Eu não sei. 

Mas se você souber.

 Diz aí. 

Estou disposto a aprender.

Wendy Andrade
InsTAGRAM
Outras histórias