Minha versão de 32 anos

Conversei com minha versão de 32 anos. Foi alívio. Senti que talvez tivesse uma chance de ser quem eu sempre quis. Minha versão de 32 anos tinha sobrevivido. Talvez ser furacão não era tão ruim assim.


Nunca tinha me visto em nenhuma mulher 


Até o dia em que sentei com ela em um café 


Ela veio sem make 


Com braços abertos e disse 


Me conta 


Tô pronta pra te ouvir 



Contei dos meus sonhos


Do meu último namoro 


De desaforos


Do medo de me colocar 


No mundo 


De expor minhas palavras


Da minha mãe no meu ouvido


Sussurrando toma cuidado 



A resposta foi troca 


Uma sorte


Uma escritora


Reconhece outra


E foram fogos 


Paula me olhou e disse


Vai menina 

Conversei com minha versão de 32 anos 


Foi alívio 


Senti que talvez tivesse uma chance 


De ser quem eu sempre quis


Minha versão de 32 anos tinha sobrevivido 


Talvez ser furacão não era tão ruim assim 


Tinha vencido 


Era um mulherão da porra


E seu nome era Paula Gicovate 


Vivia de poesia 


Transbordava por aí


Era flor na pele 


Sem precisar dar desculpa nenhuma 



Nunca tinha me visto em nenhuma mulher 


Até o dia em que abri a página de seu livro 


Tudo que eu falava era sobre amor 


Achei que eu era a única 


Encontrei nela alguém apaixonada


Aquelas palavras 


Eram mensagem



O que eu tinha esquecido 


Foi reescrito por Paula 


Tudo que eu podia fazer era escrever


Como ela viver só fazia sentido


Dessa maneira 


Viver da sua verdade era uma audácia 

Mas ela fazia isso mesmo assim 



Nunca tinha me visto em nenhuma mulher 


E era desesperador 


Transbordar era solitário 


E me encontrar em outra pessoa 


Foi tão foda 


Foi reconhecimento 


Foi espelho 


Nós duas éramos incessante busca 


E foi tão bom encontrar ela no meio do caminho 



Minha versão pequena me abraçou naquele momento 


E disse 


“Até que enfim


Chegamos 


Encontramos 


Você tá pronta 


Escreve menina


Tô contigo”

Ana Victoria
InsTAGRAM
Outras histórias